Luciano Candisani produz há duas décadas narrativas fotográficas que interpretam culturas tradicionais e ecossistemas ao redor do mundo. Suas imagens, reconhecidas com alguns dos principais prêmios da fotografia mundial, reúnem uma identidade estética e se equilibram de forma peculiar entre arte e documento. São imagens sempre carregadas com a motivação criativa do autor: mostrar a vida nos grandes espaços naturais remanescentes e alertar para a urgência de salvaguardar territórios e culturas em risco. Seus trabalhos aparecem em exposições, galerias de arte e museus ao redor do mundo e são publicadas por revistas conceituadas, como a norte-americana National Geographic e a alemã GEO, além de vários jornais, como o britânico The Guardian e os brasileiros O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, entre outros. Sua produção conta ainda com sete livros fotográficos, inúmeras matérias, workshops e palestras no Brasil e exterior.

A relevância internacional da obra de Candisani o levou a integrar o júri de alguns dos mais respeitados prêmios da fotografia, como o World Press Photo, na Holanda, e o Wildlife Photographer of the Year, na Inglaterra. A repercussão de seu trabalho também lhe rendeu convites para compor importantes coletivos fotográficos, como o Internacional League of Conservation Photographers (ILCP), o Sea Legacy e o The Photo Society, que agrupa fotógrafos colaboradores da edição principal de National Geographic.

Luciano começou sua carreira fotografando expedições científicas enquanto ainda era estudante de graduação de biologia, na Universidade de São Paulo (USP). Sua primeira grande oportunidade profissional surgiu em 1996, quando foi convidado a integrar uma expedição de três meses para as Ilhas Shetlands do Sul, na Antártica, com o objetivo de documentar a vida marinha sob o gelo para o Instituto Oceanográfico da USP. Desde então, suas pautas já o levaram a trabalhar em diversos lugares originais do planeta, como Patagônia, Amazônia, Atol das Rocas, Ilhas Darwin e Wolf, Ilhas Malvinas, Tonga e Filipinas. Em 1998, passou sete meses a bordo da escuna Aysoo, em expedição pela Patagônia e Terra do Fogo.

O trabalho de Luciano Candisani já foi tema de inúmeras reportagens e documentários. O mais recente é o aclamado filme Haenyeos: a Força do Mar, da cineasta Lygia Barbosa (Tru3lab, 2018). O longa metragem, em cartaz no canal NatGeo, conta a história das mulheres do mar da Ilha de Jeju, na Coreia do Sul, por meio do olhar de Candisani. Ele é seguido pelas câmeras de cinema e compartilha com elas suas motivações criativas para a interpretação da história diante de suas próprias lentes. O resultado é um filme raro, no qual duas linguagens de tempos diferentes, o cinema e a fotografia, se complementam em favor de uma narrativa comovente.

Luciano Candisani vive entre a floresta e o mar em Ilhabela, no litoral sudeste do Brasil.

LUCIANO CANDISANI SOBRE

LUCIANO CANDISANI, UM PERCURSO DE AUTOR.

Por Pierre Devin, fundador e diretor do “Centre Regional de la Photographie Nord Pas de Calais”, França.

Na fotografia da vida selvagem, Luciano Candisani representa um novo tipo de engajamento. A sua preocupação é a salvaguarda de um ambiente e uma biodiversidade ameaçados. Esta consciência vem de longe. A abordagem de Cousteau, através dos seus filmes documentais e dos seus fascículos vendidos em lojas culturais, interessou profundamente a Luciano, quando ainda adolescente, dando-lhe motivação. Ele tomou aulas de mergulho e comprou uma Nikonos V. O litoral do estado da São Paulo é o seu território de experimentação. Aprendeu em livros, a fotografia submarina não é comum no Brasil da época. A sua orientação se confirma nos estudos de biologia na Universidade da São Paulo. Fez estágio no Instituto Oceanográfico e participou numa missão na Antártica em 1995. Começou a vender as suas reportagens fotográficas e tornou-se fotógrafo profissional. A fotografia da foca sobre a sua ilha flutuante data desta época. O tratamento da relação do animal com seu ambiente está na linhagem da visão da natureza selvagem pintada no século dezenove. J.Rugendas enfrentava a selva tropical úmida, o Douanier Rousseau imaginava: o ser vivo ocupa uma posição central, porém, relativa a um ambiente muito presente no enquadramento.

O campo de investigação de Luciano Candisani são os grandes espaços naturais remanescentes, dos trópicos até a Antártica. A água é sempre o fio condutor. Fonte de vida, este elemento é fortemente maltratado. A sua abordagem do comportamento, a relação do animal em seu ambiente e a sua degradação interroga com força o gênero humano. Somos passageiros da mesma arca. Trata-se do nosso futuro próximo. Não é mais um luxo apenas pretender acabar com a exploração selvagem do planeta.

O autor atribui a maior importância à influência que terá as suas fotografias. Algumas correm o risco de ficarem, em curto prazo, como arquivos de um mundo desaparecido. A questão ética também se duplica em uma questão estética. É pela beleza terrível dos animais selvagens na natureza que o ser humano pode ser comovido e eventualmente conduzido a compreender o cosmos ao qual pertence. Não há nenhuma dúvida que algumas destas imagens vão atingir o estatuto de ícone. A fotografia do macaco ensinando um jovem inexperiente a quebrar a casca de um fruto encontra-se, no nosso bestiário coletivo, na seqüência de 2001: Uma odisséia no espaço de Stanley Kubrick, no qual os primatas levantam-se e utilizam um instrumento. Todos esses traços fazem de Luciano Candisani um fotógrafo autor completo. O seu propósito e o seu estilo nos comovem e nos interrogam.

 
 
 
 

EDITORIAL NATIONAL GEOGRAPHIC

Por Matthew Shirts, redator chefe da National Geographic Brasil, dezembro de 2007.

Quando olho as fotos da reportagem “Planeta dos Macacos”, que começa na página 132, me dá um frio na barriga. E penso: então é assim que tudo começou. Vejo nelas, sobretudo nas primeiras duas, um resumo da história humana, da evolução da espécie. São imagens poéticas e de impacto. Foram feitas por Luciano Candisani no sul do Piauí. Luciano é autor de outras reportagens memoráveis de National Geographic Brasil. Você talvez se lembre de “A jornada de paz e amor dos macacos hippies” (dezembro, 2003) ou de “Vôo do exílio”(abril, 2007), sobre o Albatroz brasileiro. As fotos de Luciano já foram publicadas em muitas edições de National, nos mais diversos cantos do planeta. Ele ganhou o prêmio Abril de Jornalismo quatro vezes e foi nomeado, há pouco, membro associado da prestigiosa Liga Internacional dos Fotógrafos de Conservação (ILCP, na sigla em inglês). Não é difícil entender por quê. Suas imagens são um convite para adentrar o mundo selvagem. Por elas conseguimos sentir com agudeza um elo nosso que já foi mais forte com a natureza. Dão vontade de cuidar melhor do planeta. Por nossa sorte, Luciano concentra seu trabalho no Brasil.

LUCIANO CANDISANI NA TV

Globo News, programa Almanaque

Fox, Publieditorial

Site National Geographic

TV Globo, Fantástico

TV Globo, Fantástico

TV Globo, Fantástico

Liquidofoto

TV Estadão, Fauna Invisível

TV Cultura, Repórter Eco

Refúgio Ecológico Rio da Prata

National Geographic

 
 

National Geographic, Por trás da foto

 
 

Canal Arte 1, Programa Fotógrafos

TV TAM, Luciano Candisani

JEEP, Luciano Candisani