No Pantanal, maior planície inundável do planeta, a água dita o ritmo da vida. Ao subir , abastecido pelas  chuvas do verão, o Rio Paraguai e seus afluentes transbordam para as grandes extensões de terras baixas ao redor . A paisagem muda abruptamente. Campos verdes de gramíneas transmutam-se em rios temporários. Plantas aquáticas coloridas brotam  do chão. De súbito, aparecem jardins submersos habitados por miríades de peixes . Atraídos pelo alimento fácil, Jacarés se posicionam de bocarra aberta,  para fartarem-se nos cardumes passantes. Nessa imensidão inundada, outras espécies, como onças , catetos e veados seguem para o exílio sazonal nas matas de capões e cordilheiras – na planície quase sem declive, pantaneiro chama de cordilheira as áreas ligeiramente altas e quase imunes ao avanço da cheia.  Mas mesmo esses animais de ambientes secos, em alguma medida, frequentam a água. Nadam, mergulham, flutuam. O cavalo pantaneiro mata a fome com o capim submerso. Todos, bichos e até homens, são meio anfíbios quando a grande planície do Brasil central  vira um mar interior.

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