Dedicado a contar histórias da natureza há 19 anos, o fotógrafo brasileiro Luciano Candisani é reconhecido pelo estilo peculiar de trazer a informação jornalística em composições de forte poder estético. A ligação espécie-ambiente nos grandes espaços naturais do planeta está no cerne de sua busca criativa, aparecendo fortemente ao longo de toda a sua obra.

Candisani produz reportagens fotográficas sobre biodiversidade, conservação e populações tradicionais para importantes publicações no mundo , notadamente a edição principal da National Geographic. Sua matéria mais recente a chegar aos 40 milhões de leitores dessa revista centenária – The Comeback Croc, apresenta uma interpretação visual inovadora sobre a vida de jacaré do Pantanal, espécie cuja sobrevivência depende da dinâmica da água na maior planície inundável do planeta. Uma das fotos desse trabalho recebeu o primeiro prêmio em uma das categorias do prestigioso Wildlife photographer of the year de 2012.

Luciano começou sua carreira fotografando expedições científicas, enquanto ainda era estudante de graduação de biologia, na Universidade de São Paulo – USP. Sua primeira grande oportunidade profissional surgiu em 1996, quando foi convidado a integrar uma expedição de três meses para as Ilhas Shetlands do Sul, na Antártica , com o objetivo de documentar a vida marinha sob o gelo, para o Institututo Oceanográfico da sua universidade. Desde então, suas pautas jornalísticas o levam a alguns dos lugares mais remotos do mundo, tais como a Antártica, Patagônia, Amazônia, Atol das Rocas, Ilhas Darwin e Wolf , Ilhas Malvinas e Filipinas . Em 1998, passou 7 meses a bordo da escuna Aysoo, em expedição pela Patagônia e Terra do Fogo. Essas andanças resultaram em uma produção que inclui 7 livros fotográficos, centenas de matérias ,exposições, workshops, palestras, textos e entrevistas, no Brasil e exterior. Em 2013, integrou, o juri do Wildlife Photographer of the Year de 2013, no The Natural History Museum, em Londres. Em 2014, foi um dos jurados do prestigioso World Press Photo, em Amsterdã.

E Desde 2007, participa como convidado do Festival Internacional de fotografia de Paraty, o Paraty em Foco, onde ministra o curso “Narrativas Visuais na Natureza”, um grande sucesso de público.

Luciano também produziu mais de 20 matérias exclusivamente para a edição internacional brasileira de National Geographic, revista para a qual vem trabalhando desde o ano 2000. Uma dessas histórias, os “macacos hippies” , fotografada em 2002, venceu quatro categorias do prêmio Abril de jornalismo, incluindo o prêmio de distinção em fotografia do ano. A grande repercussão dessa reportagem trouxe benefícios reais para os esforços de conservação dos muriquis, que estão entre os 25 macacos mais ameaçados de extinção.

Em 2007, a relevância do trabalho de Luciano Candisani para a fotografia e conservação da natureza foi reconhecida com a sua nomeação para fotógrafo da International League of Conservation Photographers – ILCP, que reune alguns dos principais fotógrafos de natureza do mundo com a tarefa de usar a fotografia como ferramenta de proteção ambiental.

Luciano vive com sua família entre o mar e a floresta, na Ilha de São Sebastião, litoral sudeste do Brasil.

Luciano Candisani, um percurso de autor.

Por Pierre Devin, fundador e diretor do “Centre Regional de la Photographie Nord Pas de Calais”, França.

Na fotografia da vida selvagem, Luciano Candisani representa um novo tipo de engajamento. A sua preocupação é a salvaguarda de um ambiente e uma biodiversidade ameaçados. Esta consciência vem de longe. A abordagem de Cousteau, através dos seus filmes documentais e dos seus fascículos vendidos em lojas culturais, interessou profundamente a Luciano, quando ainda adolescente, dando-lhe motivação. Ele tomou aulas de mergulho e comprou uma Nikonos V. O litoral do estado da São Paulo é o seu território de experimentação. Aprendeu em livros, a fotografia submarina não é comum no Brasil da época. A sua orientação se confirma nos estudos de biologia na Universidade da São Paulo. Fez estágio no Instituto Oceanográfico e participou numa missão na Antártica em 1995. Começou a vender as suas reportagens fotográficas e tornou-se fotógrafo profissional. A fotografia da foca sobre a sua ilha flutuante data desta época. O tratamento da relação do animal com seu ambiente está na linhagem da visão da natureza selvagem pintada no século dezenove. J.Rugendas enfrentava a selva tropical úmida, o Douanier Rousseau imaginava: o ser vivo ocupa uma posição central, porém, relativa a um ambiente muito presente no enquadramento.

O campo de investigação de Luciano Candisani são os grandes espaços naturais remanescentes, dos trópicos até a Antártica. A água é sempre o fio condutor. Fonte de vida, este elemento é fortemente maltratado. A sua abordagem do comportamento, a relação do animal em seu ambiente e a sua degradação interroga com força o gênero humano. Somos passageiros da mesma arca. Trata-se do nosso futuro próximo. Não é mais um luxo apenas pretender acabar com a exploração selvagem do planeta.

O autor atribui a maior importância à influência que terá as suas fotografias. Algumas correm o risco de ficarem, em curto prazo, como arquivos de um mundo desaparecido. A questão ética também se duplica em uma questão estética. É pela beleza terrível dos animais selvagens na natureza que o ser humano pode ser comovido e eventualmente conduzido a compreender o cosmos ao qual pertence. Não há nenhuma dúvida que algumas destas imagens vão atingir o estatuto de ícone. A fotografia do macaco ensinando um jovem inexperiente a quebrar a casca de um fruto encontra-se, no nosso bestiário coletivo, na seqüência de 2001: Uma odisséia no espaço de Stanley Kubrick, no qual os primatas levantam-se e utilizam um instrumento. Todos esses traços fazem de Luciano Candisani um fotógrafo autor completo. O seu propósito e o seu estilo nos comovem e nos interrogam.

LUCIANO CANDISANI IMPRENSA